‘O Brasil merece a verdade. É como se disséssemos que existem mortos sem túmulos’, disse a presidente
- Não nos move o revanchismo, o ódio nem o
desejo de reescrever a história. mas mostrar o que aconteceu, sem camuflagem,
sem vetos. Por isso, muito me alegra estar acompanhado por todos os presidentes
que me antecederam - disse a presidente, que foi ovacionada.
Muito emocionada, com voz embargada e
chorando, a presidente encerrou seu discurso destacando qual será o papel da
comissão:
A força
pode esconder a verdade, mas o tempo acaba por trazer a luz
- A desinformação não ajuda a apaziguar. O
Brasil merece a verdade. As novas gerações merecem a verdade, e, sobretudo,
merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que
continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia.
O Brasil merece a verdade. As novas gerações
merecem a verdade, e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam
amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e
sempre a cada dia.
A presidente citou que a criação do grupo que
estudou a instalação da Comissão da Verdade foi feita no governo de Fernando
Henrique, salientando que foi o primeiro movimento para cerimônia de hoje.
Dilma citou ainda que no governo Fernando Collor, foram abertos os arquivos do
Dops de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nesta sequência, ela só não citou o
ex-presidente José Sarney, que foi mencionado mais adiante, por seu importante
papel na transição da ditadura a democracia. Lula foi o mais aplaudido.
- O Brasil deve render homenagens às mulheres
e aos homens que buscaram a verdade histórica. É certamente, por isso, que
estamos todos juntos aqui.
E prestou homenagem ainda ao deputado Ulysses
Guimarães
- Queria iniciar citando o deputado Ulysses
Guimarães, que se vivesse ainda ocuparia lugar de honra nessa solenidade. Como
disse Ulysses uma vez: a verdade não mereceria esse nome se morresse quando
censurada, a verdade não morre por ter sido escondida. Mas não é justo que
continuemos afastados dela à luz do dia - disse a presidente.
Antes do início da cerimônia, Dilma desceu a
rampa para o salão de cerimônia ao lado de Lula e FH. José Sarney e Fernando
Collor estavam mais atrás, ao lado do vice Michel Temer e do presidente do
Supremo Tribunal Federal, Ayres Brito.
Quando chamados ao palco, foram lidos os
nomes de todos os membros da comissão, que assinaram o termo de instalação do
colegiado, com fortes aplausos. Quando o nome da psicóloga Maria Rita Kehl foi
anunciado, foram ouvidas manifestações empolgadas dos presente, que aumentaram
ao anúncio de Rosa Maria Cardoso da Cunha, que foi aplaudida de pé por parte da
plateia.
A cerimônia começou com a leitura de uma
mensagem enviada pela comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações
Unidas, Naveen Pillai. Ela parabenizou o país pela comissão, que segundo ela
permitirá o Brasil a se reconciliar com o passado e consolidar a democracia.
- Hoje esta comissão é uma realidade.
Demonstra o compromisso do Brasil com os direitos humanos para curar as feridas
do século passado. Gostaria de parabenizar o Brasil por essa comissão - disse
Amérigo Incalcaterra, representante de Naveen Pillai na América do Sul, ao ler
a mensagem.
- O trabalho da comissão deverá ajudar os
brasileiros e brasileiras a reconhecer sua própria história - afirmou Incalcaterra
- A comissão deve ajudar a reconciliar a sociedade brasileira com o seu passado
- continuou.
O segundo a discursar foi o ex-ministro da
Justiça no governo FH e membro da comissão José Carlos Dias, que afirmou que os
trabalhos do colegiado representarão uma “institucionalizada montagem de
memória coletiva” em busca da democracia. Para ele, a Comissão da Verdade
ajudará a consolidar a democracia brasileira, mas "sem caráter de
revanchismo e apedrejamento".
- O poder do Estado só deve se estabelecer na
forma do direito - afirmou Dias, acrescentando: - Não seremos os donos da
verdade, mas seus perseguidores obstinados.
Na quinta-feira passada, foram anunciados os
sete membros da comissão: Rosa Maria Cardoso da Cunha, advogada de Dilma
durante a ditadura; José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça; Gilson Dipp,
ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ); Claudio Fonteles,
ex-procurador-geral da República; Paulo Sérgio Pinheiro, advogado e
ex-secretário de Direitos Humanos; Maria Rita Kehl, psicanalista e escritora; e
José Paulo Cavalcanti Filho, advogado e escritor.
José Miguel Vivanco
, diretor nas Américas da ONG americana de defesa dos direitos
humanos Human Rights Watch, enviou carta à Dilma nesta quarta-feira, para
manifestar apoio à Comissão. “Acreditamos, ainda, que é fundamental propiciar à
comissão da verdade os recursos e o apoio necessários para que ela tenha
sucesso em sua missão histórica”, afirma o diretor da entidade, na carta.
A comissão terá prazo de dois anos para
funcionar, após sua instalação. Seus integrantes receberão salário de R$ 11,2
mil e terão uma assessoria com 14 servidores. Caberá a ela esclarecer os casos
de tortura, morte, desaparecimento e ocultação de cadáveres, identificando e
tornando públicas as estruturas, locais, instituições e circunstâncias
relacionados aos crimes contra os direitos humanos.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/dilma-instala-comissao-da-verdade-garante-apoio-4912264#ixzz1wCY1nz7m
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